O Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças (ECDC) classifica como muito baixo o risco para a população europeia em geral associado ao surto de doença respiratória aguda grave detetado a bordo de um navio ao largo de Cabo Verde.
Situação no cruzeiro Hondius
O cruzeiro, de bandeira holandesa, encontra-se atualmente ao largo da costa de Cabo Verde, com 147 pessoas a bordo.
Entre os passageiros, três pessoas morreram e uma está gravemente doente. Além disso, duas pessoas - ambas membros da tripulação - apresentam febre e sintomas respiratórios.
No Hondius segue também um cidadão português, integrante da tripulação, que, de acordo com o Ministério dos Negócios Estrangeiros, não solicitou até ao momento qualquer apoio diplomático.
O navio fazia a ligação entre Ushuaia, na Argentina, e as ilhas Canárias, tendo efetuado escalas no Atlântico Sul no âmbito de turismo de observação da vida selvagem.
Avaliação do ECDC e medidas a bordo do Hondius
O ECDC sublinha que, a bordo, estão a ser aplicadas medidas adequadas de prevenção e controlo de infeções e recorda que os hantavírus - confirmados em pelo menos um caso - não se propagam facilmente entre pessoas.
O centro europeu acrescenta que está a acompanhar a situação de perto e em contacto com as autoridades nacionais de saúde pública e com a Organização Mundial da Saúde, com o objetivo de avaliar a informação epidemiológica disponível e as potenciais implicações para a Europa.
O ECDC indica ainda que a infeção por hantavírus foi confirmada em laboratório em pelo menos uma pessoa e que prosseguem investigações adicionais, incluindo novos testes laboratoriais e avaliações de exposição.
Investigar a origem
Os hantavírus podem ser transmitidos de animais para humanos, regra geral quando as pessoas respiram poeiras ou partículas muito pequenas provenientes de urina, fezes ou saliva de roedores infetados, sobretudo em espaços fechados ou com ventilação insuficiente.
Nas Américas, alguns hantavírus podem provocar a síndrome pulmonar por hantavírus, uma doença grave marcada por febre e sintomas gerais, seguida de insuficiência respiratória aguda.
A maioria dos hantavírus não passa de pessoa para pessoa. A exceção é o vírus Andes, descrito sobretudo em áreas da América do Sul, e para o qual já foi demonstrada a capacidade de transmissão entre humanos.
Por agora, não é conhecido se a transmissão no surto atual ocorreu por exposição ambiental ou entre pessoas; a origem da infeção permanece por esclarecer e o hantavírus específico envolvido também ainda não foi identificado.
Segundo o ECDC, estão a ser implementadas medidas a bordo do navio para reduzir o risco de novas infeções entre passageiros e tripulantes.
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