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SNS piora na Saúde em Portugal: números do “Dashborad do SNS – fevereiro 2026”

Médico cansado a segurar uma prancheta no corredor de um hospital com pacientes à espera sentados.

A evolução mais recente do estado da Saúde em Portugal está longe de ser animadora. Em comparação com os dois últimos anos, o SNS degradou-se nas suas áreas essenciais. A avaliação, relativa a fevereiro, é da Administração Central do Sistema de Saúde e será disponibilizada no Portal da Transparência. O Expresso teve acesso aos dados, que apontam para uma diminuição da resposta assistencial: menos consultas (incluindo primeiras consultas), menos cirurgias (programadas e urgentes) e menos doentes com alta após internamento. Em paralelo, os tempos de espera agravaram-se, com mais pessoas inscritas para cirurgia e maior demora para quem já está em lista.

Consultas no SNS: quebra nos cuidados primários e nas primeiras hospitalares

De acordo com o “Dashborad do SNS – fevereiro 2026”, os cuidados de saúde primários registam 5,64 milhões de consultas, o que representa menos 6,1% face a fevereiro de 2025 e menos 5,9% do que em 2024.

No contexto hospitalar, a descida é um pouco menos acentuada. Foram efetuados 2,42 milhões de atendimentos por médicos especialistas, menos 3,8% do que no ano anterior, embora 0,5% acima de 2024. Ainda assim, a situação piora quando se olha para as primeiras consultas hospitalares: 650.288, correspondendo a menos 7,3% e menos 4,7%, respetivamente, quando comparado com o mesmo mês dos dois anos anteriores.

Cirurgias no SNS: menos intervenções e mais inscritos em lista

Também nos hospitais, os doentes com necessidade de cirurgia ficam, este ano, numa posição mais desfavorável. As operações programadas desceram de 133.349 em 2024 e de 140.833 em 2025 para 130.439 em fevereiro deste ano. Até as cirurgias de urgência (15.986) foram inferiores às registadas anteriormente.

Do lado do acesso, a pressão aumentou. O total de inscritos para cirurgia subiu para 273.871 - mais 1,4% do que em 2025 e mais 2,6% do que em 2024 - e, para quem já integra a lista, a espera prolonga-se de forma significativa.

Espera para cirurgia com agravamento de 15%

No total, 84.593 doentes a aguardar cirurgia já ultrapassaram o prazo clinicamente indicado, traduzindo um agravamento expressivo deste indicador. Em fevereiro dos dois anos anteriores, os valores foram 73.486 (menos 15%) e 75.824 (menos 11,6%).

Em síntese, a percentagem de inscritos para cirurgia ainda dentro do intervalo clínico recomendado fixa-se em 69,1%, quando em 2025 era 72,8% e em 2024 se situava em 71,6%.

Outro sinal negativo surge nos internamentos: o número de doentes com alta hospitalar após internamento ficou em 121.813, menos 6,6% e menos 6,5%, respetivamente, face aos dois últimos anos.

Mais profissionais e mais trabalho extraordinário

Apesar da quebra na atividade assistencial, o SNS apresenta agora mais profissionais e um volume superior de trabalho extraordinário. Os recursos humanos totalizam 157.094, o que significa mais 2,3% em relação a 2025 e mais 4,1% comparando com 2024. Existem 22.122 médicos e 52.989 enfermeiros, ambos com um reforço de 2,4% face ao ano passado.

Nos centros de saúde, há uma evolução positiva, ainda que praticamente impercetível: 85,1% dos utentes têm médico atribuído, mais 0,1% do que em 2025 e menos 0,1% do que em 2024.

Mesmo com mais profissionais, as horas extraordinárias cresceram. Totalizaram 2,10 milhões, acima de 1,94 milhões e 1,91 milhões nos anos anteriores, com destaque para o trabalho noturno.

Feitas as contas, fevereiro ficou mais oneroso para o SNS. Os gastos operacionais aumentaram para 2723,6 milhões de euros, valor 39,7% superior ao de 2024. Também subiram os pagamentos em atraso e a dívida total a fornecedores: 78,1 milhões no primeiro indicador e 1718,9 milhões de euros no total.

O retrato oficial aponta para um SNS em estado crítico, com menos áreas a apresentarem sinais favoráveis. Ainda assim, surgem melhorias, por exemplo, na afluência às Urgências hospitalares e nas despesas com tarefeiros e suplementos.

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